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Complexidade e Solidariedade: Dando Sentido à Agilidade Solidária

Artigo publicado no LinkedIn sobre complexidade, solidariedade e agilidade solidária

2 min de leitura

A foto que ilustra este texto é da premiada fotógrafa polonesa Kasia Strek. Esta imagem faz parte de uma coleção de registros emocionantes de solidariedade que emergem a partir de uma tragédia. Tanto na Polônia quanto na maior parte do mundo, envelhecer com qualidade de vida é um desafio. Para alguns desses velhinhos, a situação supera o âmbito do desafio e se manifesta como a tragédia de um final de vida desassistido, em completo desamparo.

Os gregos antigos tinham na tragédia uma grande fonte de significado para os acontecimentos da vida. São muitas histórias deixadas por autores como Sófocles e Eurípedes que compartilham um mesmo enredo comum. Algo, aparentemente sem uma razão bem definida a não ser o desejo dos deuses, levava alguém a perder tudo que tinha.

No mais clássico dos exemplos, Édipo, rei de Tebas, tinha tudo. Um reino, um palácio, saúde, uma linda esposa e filhos maravilhosos. Em um único dia ele perde tudo sem ter feito nada conscientemente errado que justificasse toda a força de sua tragédia pessoal. Descobre que involuntariamente tinha matado seu pai e se casado com sua mãe; deixa de ser rei e perde todas as suas posses; sua esposa/mãe se mata; ele cega-se a si mesmo e, agora dependente da caridade de sua filha mais nova, vaga com ela como pedintes sem lar; seus filhos homens assassinam-se um ao outro simultaneamente, e sua filha mais velha também comete o suicídio depois que se vê sem o direito de enterrar o corpo do próprio irmão.

Para os antigos gregos, a tragédia estava à espreita e cercava a vida de cada ser humano, incluindo os reis. Todos nós estamos suscetíveis a essa realidade que trata o mais rico da mesma forma que o mais pobre. Talvez por isso os gregos precisavam tanto dessas histórias para dar sentido a essa realidade tão sem sentido.

Quando coletivas, as tragédias se tornam para nós o que chamamos de catástrofes. Algumas, como as guerras, nós criamos para nós mesmos. Já as naturais… bom, essas aparecem de vez em quando para nos lembrar dos deuses e de suas agendas para cada um de nós. Talvez eles queiram nos lembrar que tudo que achamos que temos, na verdade não é nosso, e que não estamos aqui para ter, mas para ser.