Sempre achei que toda essa filosofia ágil a qual estamos nos acostumando tinha algum modelo teórico comum. Mas sempre me pareceu estranho que este modelo fosse definido apenas por meio dos princípios surgidos com o Manifesto Ágil em 2001. A grande dúvida é: Em quê tais princípios se baseiam? São resultado apenas de experiências empíricas sobre melhores práticas ou tem algum fundamento teórico original? Como já havia comentado no tópico anterior, recentemente tenho estudado bastante o trabalho de Jim Highsmith sobre como à partir de conceitos extraídos da teoria de sistemas complexos adaptativos é possível redefinir todas as nossas estratégias de abordagem em projetos de software. Desde então, minhas suspeitas recaíram sobre essa teoria a ponto de considerá-la a "semente original" do movimento ágil. A confirmação veio quando li um recente post do Jeff Sutherland na qual ele esclarece exatamente este ponto. Na verdade, a motivação do seu post foi estabelecer a correta relação entre Scrum e Lean. Qual a relação entre as duas filosofias de gestão mais comentadas atualmente? Em seu artigo, Sutherland não só confirma e detalha as bases teóricas sobre as quais o Scrum foi concebido, como também comprova a relação teórica intencional com os sistemas complexos adaptativos. Clicando aqui você terá acesso a discussões originais dele com outros membros de comunidades de desenvolvimento ainda em 1994, incluindo Robert Martin e Kent Beck (que percebe-se nesse momento já estar trabalhando na elaboração teórica de seu método). Muito do que se sabe hoje sobre Lean teve também origem nos conceitos teóricos sobre sistemas complexos adaptativos. Ainda em 1986, Nonaka e Takeushi publicaram um dos primeiros trabalhos sobre essa nova forma de lidar com projetos no livro intitulado The New Product Development Game. O termo Lean só veio a aparecer em 1990 com a publicação do livro The Machine that Changed the World (James Womack et al), mas os princípios teóricos se mantiveram. Em resumo, tudo o que sabemos sobre o modelo ágil de trabalho deriva dos sistemas complexos adaptativos. E estudá-los é uma boa forma de entender como e porquê eles funcionam.

Posted by: alisson.vale
Posted on: 1/17/2008 at 8:14 PM
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No início desse mês foi divulgada a pesquisa anual realizada pela VersionOne em conjunto com a APNL (Agile Project Leadership Network) sobre a situação atual do Desenvolvimento Ágil no mundo. Foram mais de 1700 entrevistados em 71 países. Pelo menos 30% dos entrevistados atuam em empresas com mais de 250 funcionários. A pesquisa não serve para avaliar a penetração dos métodos ágeis no mercado de TI de modo geral, mas dá uma idéia de como as pessoas os têm implementado em suas empresas. Dois números me chamaram a atenção: O Scrum aparece em aproximadamente 70% dos projetos como metodologia utilizada; ou sozinha, ou associada a alguma outra, como XP por exemplo. 82% dos entrevistados afirmaram usar uma ferramenta de issue tracking em seus projetos. Em termos de ferramenta, é o maior percentual, ganhando de ferramentas de testes e de integração contínua. Isso certamente é reflexo da simplificação no uso de ferramentas que os métodos ágeis propiciam. Porquê Scrum? Eu justificaria essa adoção em massa ao Scrum, analisando os seguintes pontos: O Scrum é muito simples de entender e é um ótimo primeiro passo para a entrada no mundo Ágil; Seu público-alvo é formado por quem tem poder de decisão para influenciar seus projetos (gerentes e líderes) É muito bem documentado; Não sugere práticas que gerem resistência inicial; Não interfere diretamente nas práticas de desenvolvimento já utilizadas pela equipe que o adota; E aquilo que eu acho que teve o maior peso: Hoje o Scrum já movimenta um mercado de consultorias, treinamentos, certificações, eventos e papers. E tal mercado vem sendo muito bem administrado pela Scrum Alliance. Apesar das críticas iniciais ao modelo de certificação utilizado pela Scrum Alliance, minha impressão é que é esse modelo que vem trazendo cada vez mais pessoas e empresas para buscarem conhecimento e treinamento sobre o assunto. Hoje as empresas não costumam apostar seu futuro em algo que não seja apoiado por algum tipo de empresa ou instituição atuante. Talvez seja uma boa lição para outras metodologias e para a própria Agile Alliance. Apesar de haver a necessidade legítima de se manter a natureza "open-source" do movimento, é importante que alguma instituição sem fins lucrativos possa servir de referência comercial para o mercado em geral. O DSDM tem um modelo semelhante, mas o seu Consortium bem estruturado não foi capaz de vencer uma maior complexidade conceitual da metodologia e sua atuação mais contundente em alguns países europeus.    É um tema polêmico, eu sei. Mas se deu certo para o Scrum, porque não daria para as outras metodologias?

Posted by: alisson.vale
Posted on: 9/3/2007 at 12:23 AM
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